25.5.09

Contato Profundo = Fim da Separação


Nós já falamos do nível de contato profundo que está agora disponível para vocês em uma base consciente a cada momento de cada dia. Em vez de se comunicar com uma pessoa em um único nível, vocês podem agora ir para o nível visceral de comunicação e, com pouquíssimas palavras, se comunicar com outra alma no nível do coração e da alma. Por causa disso, novas possibilidades estão surgindo. Os humanos em geral também estão perdendo a tolerância para a separação extrema que existe atualmente. Quais são as boas novas? Chega de segredos no planeta Terra... e isso é ótimo. Não são notícias ruins, certo? Será difícil para muitos porque vocês se cercaram bem de um campo de energia. Vocês adoram a privacidade e seu espaço sagrado. Vocês nunca perderão seu espaço sagrado ou seu legado. Essas partes de vocês sempre estarão aí. Agora a humanidade descobrirá as novas conexões que não requerem a separação que foi necessária antes. Isso acontecerá em muitos níveis diferentes. Os países não deixarão de existir, mas os humanos em breve começarão a apagar essas linhas na areia. A separação dos corações começará a findar este ano e é somente questão de tempo para que os nascidos no planeta Terra se tornem todos irmãos.
Vocês são um aqui da mesma forma que são um em Casa. Agora vocês estão começando a ver isso através do contato profundo, que vai direto ao nível de alma, direto a essa parte da outra pessoa que também é vocês, essa parte que vocês compartilham com elas. Agora é que a mágica surge porque, à medida que isso acontece, a humanidade começa a formar uma Terra unida. Com isso, vem a liberação da tensão dentro da Terra em si ao passo que ela absorve a energia de vocês. Vocês são parte dela da mesma forma que são parte uns dos outros. É por isso que vocês sentem tanta atração por cristais. Eles são o âmbito vibracional mais elevado do reino mineral. Eles falarão com vocês se vocês prestarem atenção. A Terra falará com vocês se vocês a escutarem. Os humanos ressoam mais com os cristais do que com as rochas ou os elementos porque eles estão mais próximos de seu âmbito vibracional. A Terra precisa da ajuda de vocês de muitas formas. São muitos os diferentes modos de corrigir e trabalhar com a Terra. Agora está se tornando popular o jeito verde de se viver e isso a está ajudando. Quando vocês liberam a necessidade da separação dos corações, vocês abrem a porta para a evolução em todos os níveis. Isso está acontecendo agora.

2.4.09

A Ciência da Mente


O uso sábio e adequado da energia do pensamento, para o serviço, não é para a maioria das pessoas um processo automático. Requer esforço e disciplina, além da compreensão dos princípios nos quais se baseia o uso criativo da mente. Os seguintes pontos nos revelam alguns dos fundamentos desta ciência da mente.

1 – O pensamento é criador, ao construir mediante a formulação, desenvolvimento e clarificação de idéias. É também comunicativo, pois a mente projeta as “formas de pensamento” para seu destino.

2 – A criação, mediante o pensamento positivo, requer uma consciência emocional estável, uma mente que pode manter um enfoque e concentração num tema ou idéia, sem interrupções ou distrações, e condições físicas que permitam conseguir isto.

3 – Requer-se uma pureza no motivo para realizar esta tarefa. Isto não é um ideal impossível; o propósito que move a ação deve ser o do serviço impessoal e desinteressado. Trabalha-se em benefício e para a inspiração de toda a família humana.

4 – A mente deve estar unida ao coração no serviço espiritual criativo. Cristo disse: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é” e se o pensador trabalha com um coração fechado ao fluxo do amor, o pensamento carecerá do magnetismo necessário para alcançar seu objetivo.

5 – Existem muitas maneiras de refletir sobre um determinado tema para poder esclarecê-lo e desenvolvê-lo. Deverá realizar-se um esforço para penetrar mais além das aparências externas em busca de um significado, de uma transcendência, de relações com outras idéias ou correntes de pensamento, ir em busca das causas e não dos efeitos. A intenção de conseguir isto levará o pensador a refletir sobre aquilo que não pertence à natureza da forma e que pode conduzi-lo à contemplação, fonte de inspiração e iluminação.

6 – O pensador, ao chegar a um certo ponto, deverá elevar a sua consciência para a alma (a consciência crística em nosso interior) e, meditando na luz da alma, unir-se, mentalmente, com a Hierarquia espiritual. Dessa maneira, ajudaremos a construir a conexão entre a mente de Deus e as mentes dos homens e mulheres e através deste canal podemos contribuir para que o Plano vá se instaurando nas consciências humanas. Ao mesmo tempo invocamos o fluxo de luz, de amor e de vontade para o bem para que, através deste canal, chegue às mentes e corações de todos.

7 – O pensador deverá dar-se conta de que somos, de fato, parte de um grupo mundial de pensadores, unido subjetivamente em qualquer trabalho de serviço criativo que se realiza mediante a energia do pensamento. Um pensador pode tanto contribuir com energia para o “centro de pensamento”, criado por um grupo, como extrair energia dele. Quando se está trabalhando com energia mental, mediante a união da consciência com o grupo, agrega-se poder à própria contribuição e à dos demais.

8 – As formas de pensamento deveriam ser construídas com tanto cuidado e precisão com se tratasse de uma casa. Assim como um arquiteto deve ter em conta o desenho, os materiais, as instalações elétricas, a iluminação, a calefação, os trabalhos de encanamento, e combinar todos estes elementos para que uma casa resulte bela, prática, econômica e agradável de habitar, da mesma maneira a pessoa criativa que trabalha com o pensamento deve ter em conta todos os fatores que são empregados na criação mental. Como existem milhões de casas mal desenhadas e mal construídas no mundo, também existem milhões de pensamentos inadequados e formas mentais relativamente inúteis. No processo de construção de formas mentais, a principal técnica empregada é a visualização mental.

As regras para o uso criativo da energia mental são as mesmas para a meditação, embora se deveria dar uma conotação mais ampla a este termo do que foi dado até agora. O cientista, que trabalha num laboratório tentando desvendar as leis da natureza, encontra-se ocupado numa forma de meditação. Planejar com cuidado como ajudar àqueles que necessitam, é meditação. A clarificação de conceitos filosóficos, a formulação de princípios filosóficos, é meditação. A aplicação do poder mental para resolver problemas governamentais e nas relações internacionais, é meditação. Em todos se aplicam os mesmos processos de pensamento. Os temas e, portanto, os pontos de ênfase diferirão, mas o processo é idêntico. Sempre que o motivo da tarefa seja o bem-estar de todos, sempre que se realiza um propósito e intenção desinteressados, pode se considerar que o trabalho realizado está respondendo aos princípios do Plano.

Pretende-se que a energia espiritual faça impacto sobre as mentes humanas, as quais são o único instrumento disponível, em seu efeito combinado, através do qual a Vontade de Deus pode se manifestar. O lugar que a humanidade ocupa no plano cósmico torna-se mais vital e evidente quando nos damos conta de que, uma de nossas responsabilidades principais, é o direcionamento das energias procedentes do plano mental e a criação daquilo que é desejado, de acordo com o propósito de Deus para Sua criação. Os homens e mulheres, em conjunto, estão atravessando uma etapa em seu desenvolvimento evolutivo que lhes permitirá criar mais conscientemente com a matéria. Isto implica uma realização do Plano arquetípico, com um processo consciente de criação voluntária, de tal modo que possamos cooperar com o ideal, trabalhar segundo as leis e produzir aquilo que está em consonância com o Plano.

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Ensinamentos do Mestre Djwhal Khul (O Tibetano) e Alice Bailey

Fundamentos do Plano


As circunstâncias e acontecimentos do mundo externo são produto das energias dominantes que circulam no corpo planetário etérico em cada período particular da história mundial. Até há pouco tempo, a maioria dos homens e mulheres respondiam, principalmente, à energia do impulso emocional. Eram realmente poucas as pessoas receptivas à energia mental e aos padrões de pensamento. Entretanto, esta situação mudou rapidamente no Século XX. Graças aos modernos sistemas educacionais, milhões de pessoas desenvolveram e estão desenvolvendo o poder de pensar e manejar a energia do pensamento. Aqueles que podem registrar e ceder a estes impulsos e padrões de pensamento que portam as sementes da cultura e civilização do mundo e que procedem da Mente Universal são na atualidade o suficientemente numerosos para formar um grupo mundial.

Diz-se que “o que está acontecendo no mundo, hoje em dia, vem determinado pelas idéias” e isto pode ser observado, claramente, nestes momentos. As pessoas que possuem algum conhecimento sobre o poder do pensamento, sobre os efeitos das correntes de energia mental, que fluem da mente, enfrentam uma situação de grande responsabilidade e que por sua vez lhes proporcionam uma grande oportunidade. Os pensamentos são energia e a energia segue o pensamento. Esta é a base de todo trabalho criador no plano mental. Se uma pessoa cujos pensamentos refletem a verdade pode transformar o clima mental do meio ambiente. Da mesma maneira, os pensamentos egoístas, não controlados ou destrutivos, podem envenenar a atmosfera mental. Nossos pensamentos são mais poderosos do que, geralmente, se acredita. Daí a necessidade de um uso criativo e construtivo deste poder.

O universo é a expressão de um plano e propósitos divinos. Não é uma “concorrência fortuita de átomos”, mas o desenvolvimento de um elevado desenho ou padrão. Quando nos tornamos conscientes da necessidade de que formas de energias positivas e construtivas circulem, nos convertemos em colaboradores conscientes do Plano Divino. Nestes momentos, começamos a reconhecer mais nitidamente a realidade do mundo mental e a trabalhar mais conscientemente para sermos capazes de registrar e responder às idéias e princípios fundamentais, que estão tentando se manifestar no mundo e que formam parte das linhas de ação de um Plano. Começamos a darmos conta, também, da existência daqueles que poderiam ser denominados “Os Guardiões do Plano” (a Hierarquia Espiritual) cuja tarefa é a preparação das diretrizes do Plano para que a humanidade as utilize e desenvolva. Identificamo-nos e nos associamos com o processo criador universal, compartilhado pela Hierarquia espiritual e por todos os pensadores criativos, cujo trabalho está inspirado pelo amor e o serviço.

Qualquer um pode cooperar na tarefa para que “o Plano se expresse por meio do pensamento”. Os objetivos fundamentais do Plano são: que a luz ilumine nossas mentes, que o amor governe todas as relações e que a vontade de Deus dirija os assuntos dos homens e mulheres. Todos aqueles que realmente procuram amar e servir a humanidade estão cooperando com o Plano. As pessoas que conhecem o poder do pensamento e que podem começar a trabalhar com a energia do pensamento, no plano mental, podem desenvolver um papel adicional criativo.

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O Corpo Etérico


Graças a esta teoria especial da relatividade foi possível provar, cientificamente, que no universo físico conhecido tudo é energia. Este descobrimento desacreditou os conceitos e explicações materialistas sobre o universo. Porque nada existe no universo manifestado planetário solar ou nos diversos reinos da natureza que não possua uma forma de energia, sutil e intangível e, sem embargo, substancial. Considera-se que tudo o que existe é energia; o manifestado é expressão de um conglomerado de energias, com algumas das quais se constroem formas, outras constituem o meio em que tais formas vivem, se movem e têm seu ser, e ainda há outras no processo de vivificar tanto as formas como o meio em que se desenvolvem. Deve ser recordado que as formas existem dentro de outras formas. Uma pessoa, sentada em seu aposento, é uma forma dentro de outra forma; o aposento em si mesmo é uma forma dentro de uma residência e essa residência (por sua vez outra forma) é, provavelmente, uma mais entre muitas outras similares, colocadas umas por sobre as outras, ou também umas ao lado de outras, constituindo entre todas uma forma ainda maior. Entretanto, todas estas diversas formas estão compostas de substância tangível que, quando coordenada e agrupada segundo algum desenho conhecido ou idéia na mente de algum pensador, cria uma forma material. Esta substância tangível está composta de energias vivas, que vibram ao se relacionar uma com as outras e que, ao mesmo tempo, mantém sua qualidade própria e a vida que as caracteriza.


Vivemos imersos num oceano de energias, embora nem sempre somos conscientes deste fato. Nós mesmos somos um cúmulo de energias, as quais se encontram intimamente inter-relacionadas e constituem o corpo sintético de nosso planeta. A este corpo energético denominamos etérico. O corpo energético etérico de cada ser humano é uma parte integrante do corpo etérico planetário e, conseqüentemente, do sistema solar. Deste modo, cada ser humano está relacionado, essencialmente, com todas as demais expressões divinas da vida, sejam pequenas ou grandes. De fato, o corpo energético de qualquer forma da natureza é parte integrante da forma substancial da vida universal única, do próprio Deus.

O corpo etérico não é nenhuma outra coisa senão energia. Sua função é receber e transmitir impulsos energéticos de distintas classes e graus, pondo-se em atividade graças a estes impulsos ou correntes de força. Proporciona a base necessária para os distintos tipos e níveis de interação telepática e para todas as formas de trabalho subjetivo e relações entre grupos e indivíduos. O corpo etérico também proporciona o nexo entre os impulsos mentais e emocionais, assim como o mundo da forma física exterior. As energias estão constantemente circulando através da rede do corpo etérico, condicionando e determinando a expressão externa, assim como as atividades e qualidades de todas as formas viventes. Isto é aplicável tanto aos seres humanos, individualmente, como aos grupos, à humanidade em conjunto, ao planeta e também mais além deste.

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A Energia Segue o Pensamento


Tudo é Energia

Na sociedade atual nos encontramos constantemente com o conceito de energia. Entretanto, pouca gente se detém a considerar quê se entende por este termo.

A palavra vem do grego “energos”, que significa “ativo”. A energia é, portanto, a capacidade para a atividade vital e, desde tempos remotos, este conceito de energia vem sendo aplicando a uma área cada vez maior de conhecimentos e atividades humanas. Durante muito tempo, este conceito foi utilizado em relação com acontecimentos físicos, e mais tarde entrou também na formação de outros campos, tais como a psicologia, a economia e a sociologia. Do conceito de energia como uma força viva distribuída de forma geral, uma linha direta de desenvolvimento nos conduz a todas as diferentes esferas da vida humana.

O conceito científico de energia tem sido aquele em que mais se desenvolveu e utilizou o conceito de energia. A idéia de que tudo é energia, em estados e condições mutáveis, deu lugar a uma síntese no pensamento científico e a uma nova compreensão das forças do universo. Isto nem sempre foi assim. No Século XIX a energia era considerada como o resultado do movimento de corpos ou partículas materiais (energia cinética ou atual) ou como resultado da posição de um fragmento de matéria em relação a outros fragmentos de matéria (energia potencial). Expressou-se isto por meio de duas grandes leis: a lei da Conservação da Massa, que em resumo expressava que a massa (a quantidade de matéria num corpo) era indestrutível, e a lei da Conservação da Energia, que basicamente postulava que a soma total de energia no universo era constante.

Considerava-se que os conceitos de massa ou matéria e de energia eram independentes, e destes dois conceitos acreditava-se que o da matéria era o mais básico e fundamental para nossa compreensão do universo. Mas em 1905 Einstein demonstrou com sua “teoria especial da relatividade” que a massa em si mesma é uma forma de energia, que a massa e a energia são de fato intercambiáveis, e que se relacionam segundo a fórmula E=mc2, onde “E” é igual energia, “m” é igual massa, e “c” é igual velocidade da luz. Assim, “se a matéria se desfaz de sua massa e viaja à velocidade da luz, recebe a denominação de energia. E, o inverso, se a energia se solidifica e imobiliza, podendo-se determinar sua massa, recebe o nome de matéria” (O Universo e o Dr. Einstein, de Lincoln Barnett). A lei da Conservação da Massa teve que abandonar o lugar preponderante onde foi colocada, para que o conceito de Energia assumisse sua legítima importância.

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Kundaline e Energia Sexual


1) - O fogo latente ou interior produz o calor interno que faz o sistema solar fértil de todas as formas de vida. É o calor inerente que causa toda fertilização, quer humana, animal ou vegetal.

... O fogo latente humano, o calor interno do corpo humano, causa a produção de outras formas de vida, tais como:

A – As células do corpo físico.
B – Os organismos nutridos pelo calor latente.
C – A reprodução de si mesmo em outras formas humanas, base da função sexual. (Um Tratado Sobre o Fogo Cósmico, pág. 53)

2) - Se alguém, pelo poder da vontade ou por meio de um super-desenvolvimento do aspecto mental do seu temperamento, adquire o poder de fundir os fogos da matéria e impeli-los à ação, encontra-se em perigo de obsessão, loucura, morte física, ou de terrível enfermidade em alguma parte do seu corpo, e também corre o risco de um super-desenvolvimento do impulso sexual através da condução da força de maneira irregular para cima, ou forçando a sua radiação para centros não desejados. A razão disto é que a matéria do seu corpo não está suficientemente pura para resistir a união das chamas, e o canal de ascensão da coluna vertebral ainda está obstruído e bloqueado, e então atua como uma barreira, retornando a chama para trás e para baixo, e que a chama (conjunto resultante do poder da mente e não associado ao fluxo de descida do plano do espírito), permite, através da combustão etérica, a entrada de forças, correntes e entidades indesejáveis e estranhas. Estas destroem, rompem e arruínam o que resta do veículo etérico, do tecido do cérebro e até do próprio corpo físico denso. (Idem, pág. 126)

3) - Ocupei-me destes detalhes porque a prática dos exercícios de respiração movimenta definitivamente as forças que fluem através dos “nadis” e reorganiza-as – geralmente de maneira prematura. Acelera o processo de derrubar as barreiras que separam as quatro forças da quinta energia e precipita a destruição, pelo fogo, da tela etérica protetora ao longo da coluna vertebral. Se é isto feito enquanto a ênfase da vida está centrada abaixo do diafragma, e o homem nem sequer é um aspirante ou pessoa inteligente, então isso causará uma estimulação exagerada da vida sexual, e também abre o plano astral, de onde virão numerosas perturbações físicas e doenças. No sentido oculto, esta prática “libera os fogos inferiores e o homem será destruído pelo fogo”; ele não será então (como está projetado) a “sarça ardente que arde eternamente e que não pode ser destruída”. (Um Tratado Sobre Magia Branca, pág. 595)

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0 Sexo na Nova Era


É sempre perigoso profetizar, porém uma previsão, a partir das tendências generalizadas, do momento, é muitas vezes possível.

Durante os próximos duzentos anos, as velhas influências sob as quais temos vivido desaparecerão paulatinamente, e novas potências farão sentir sua presença. Sabemos que três coisas caracterizarão a próxima Era de Aquário, e elas serão possíveis graças a influência dos três planetas que governam os três decanatos deste signo. Primeiro teremos a atividade de Saturno, que produz a divisão dos caminhos e oferece a oportunidade aos homens que disso se possam valer. Teremos, portanto, um período de disciplina e um ciclo em que as escolhas serão feitas, e através dessas decisões discriminatórias a humanidade tomará posse de seu direito inato. Esta influência já se faz sentir fortemente.

A seguir, no segundo decanato, através da influência de Mercúrio, teremos um influxo de luz, de iluminação mental e espiritual, e uma interpretação mais real dos ensinamentos da Loja dos Mensageiros. O trabalho do primeiro decanato capacitará muitos a fazer as escolhas e esforços que lhes permitirão erguer as energias inferiores para os centros superiores, e transferir o foco de sua atenção da área abaixo do diafragma para a área acima. O trabalho do segundo decanato permitirá, àqueles que estiverem assim prontos, fundir a personalidade com a alma, e então, como foi destacado anteriormente, a luz brilhará e o Cristo nascerá dentro deles.

Durante o terceiro decanato veremos a lei da Fraternidade inaugurar-se, Vênus controlando pelo amor inteligente; o grupo – não o indivíduo – será a unidade importante, e o altruísmo e a cooperação tomarão o lugar da separatividade e da competição.

Em nenhum outro departamento da vida essas grandes mudanças se mostrarão com maior potência do que na atitude do homem em relação ao sexo, e no reajustamento da relação conjugal. Esta nova atitude surgirá à proporção que o lento desenvolvimento científico da psicologia se complete. Quando o homem vier a entender sua tríplice natureza e à medida que a natureza da consciência e a profundidade de sua própria vida subconsciente sejam realmente melhor entendidas, surgirá gradual e automaticamente uma mudança de atitude dos homens em relação às mulheres, e das mulheres em relação ao seu destino. Esta necessária mudança não se dará como resultado de medidas legais ou de decisões tomadas pelos representantes dos povos para fazer frente às calamidades do momento; estas mudanças far-se-ão sentir lentamente, como resultado do interesse inteligente das próximas três gerações. Os jovens que agora estão encarnando, e os que o fizer durante o século seguinte, provarão estar bem equipados para lidar com o problema do sexo, porque eles poderão ver mais claramente do que as gerações mais velhas e pensarão em termos mais vastos do que é comum hoje. Eles terão maior consciência grupal, e serão menos individualistas e egoístas; estarão mais interessados em idéias novas do que em velhas teologias; estarão mais livres de preconceitos e menos intolerantes do que a massa de pessoas bem-intencionadas hoje. A psicologia está apenas dando os primeiros passos, e somente agora sua função começa a ser entendida; dentro de cem anos, todavia, será a ciência predominante; e os mais novos sistemas educacionais, baseados na psicologia científica, terão completamente sobrepujado nossos métodos modernos. A ênfase, no futuro, será sobre o propósito determinante da vida do homem. Isto acontecerá através da compreensão do seu equipamento (e desta, a psicologia vocacional é o primeiro e ainda vago começo); através do estudo de seu horóscopo; através de um treinamento correto em controle mental, assim como o treinamento da memória para a retenção de informações. Os processos pelos quais ele pode integrar sua personalidade e elevar e purificar suas qualidades serão alvo de cuidadosa atenção, tudo com a finalidade de torná-lo consciente do grupo e útil ao mesmo. Este e o fator importante. Síntese, pureza física, descentralização e bem-estar do grupo serão a tônica do ensino ministrado. O controle emocional e o reto pensar serão inculcados e onde estes estiverem presentes, o conhecimento das realidades espirituais será automaticamente adquirido e a vida subordinada ao propósito grupal. As relações recíprocas dos homens serão então inteligentemente direcionadas, e sua relação com o sexo oposto será guiada não só pelo amor e desejo, como também por uma apreciação intelectual ordenada do verdadeiro significado do casamento. O que foi dito aplica-se à maioria inteligente, bem-intencionada, cujos padrões terão evoluído com o passar das décadas, de modo que eles possam encarnar os sonhos e ideais dos mais adiantados visionários de hoje. Os irrefletidos, os ociosos e os estúpidos continuarão a existir, porém a evolução prossegue a passo acelerado, e a ordem está em seu caminho.

Que leis serão decretadas para o controle do povo sobre este difícil assunto do sexo, não sei dizer; que leis regerão o casamento, não faz parte do meu propósito prever; como a legislatura das nações se comportará face ao problema, resta saber. Não estou interessado em especulações.

Mas eu posso estabelecer – e aqui o farei – as premissas básicas que fundamentarão o melhor pensamento do futuro sobre o problema do sexo e do casamento. São três, as premissas, que quando forem integradas ao pensamento do período, formando a base de todos os padrões de vida compatível, então os detalhes de como, onde e quando se delinearão por si mesmos.

1. A relação dos sexos e sua abordagem da relação conjugal será feita como uma parcela da vida grupal e para servir ao bem do grupo; isto não será o resultado de leis reguladoras do matrimonio, mas um resultado da educação em relações grupais, serviço e lei do amor, entendidos de forma prática e não apenas sentimental. Os homens e mulheres reconhecer-se-ão como células num organismo vital, e suas atividades e pontos de vista serão coloridos por este conhecimento. A relação sexual será olhada como um fato da natureza e produto de passados ciclos evolutivos e não como uma teoria e esperança, como é hoje o caso. O que for melhor para o grupo, e o que for necessário para promover a eficiência da unidade no grupo, serão os pontos a considerar. Cada vez mais os homens viverão no mundo do pensamento e da compreensão, e não tanto no mundo do desejo descontrolado e do instinto animal; o amor dos homens pelas mulheres e das mulheres pelos homens estará mais verdadeiramente presente do que atualmente, pois será, não puramente emocional, mas também baseado na inteligência.

Quando o impulso criativo se voltar do sacro para o centro da garganta, o homem viverá menos potentemente nos seus impulsos sexuais físicos, e mais consistentemente na sua expressão criativa. Sua vida no plano físico prosseguirá normalmente, porém é preciso que o homem compreenda que o modo pelo qual ele hoje satisfaz sua natureza sexual é anormal e desregulado, e que estamos a caminho da sábia normalidade. A ânsia pelo prazer egoísta e satisfação de um impulso animal, impulso este correto quando regulado, e devastadoramente errado quando prostituído somente para o prazer, dará lugar a uma decisão mútua entre os parceiros. A decisão irá de encontro a uma nova necessidade natural de modo regulado, correto e adequado. Hoje, um ou outro parceiro é geralmente sacrificado, seja por indevida abstinência ou por inconveniente libertinagem.

2. A segunda regra baseia-se no ponto de evolução que, para sua correta efetivação, necessita da verdadeira integração da personalidade. Esta regra pode ser expressa da seguinte maneira: o verdadeiro casamento e a correta relação sexual devem envolver todos os três aspectos da natureza do homem; haverá, ao mesmo tempo, um encontro nos três níveis de consciência – físico, emocional e mental. Um homem e uma mulher, para estarem felizes e realmente casados, têm que ser complemento um do outro nos três departamentos de sua natureza, e terá que haver uma união simultânea dos três. Quão raro é este o caso, e quão difícil de ser encontrado! Não preciso estender-me mais, pois essa verdade é óbvia e tem sido apontada amiúde. Num futuro bastante distante, veremos casamentos que serão baseados no ponto de desenvolvimento da personalidade integrada, e só se encontrarão no ritual sagrado do casamento aqueles que houverem alcançado o mesmo ponto no trabalho de transmutação dos centros inferiores para os superiores; será considerado indesejável um casamento em que uma das partes esteja vivendo a vida da personalidade purificada acima do diafragma, e a outra, a vida do animal inteligente abaixo do diafragma. Finalmente, uns poucos escolherão seus pares dentre aqueles em quem o Cristo renasceu, e que estão expressando a vida do Cristo. Porem, exceto por alguns casos raros e esparsos, esse tempo ainda não é chegado.

3. O terceiro princípio governante será o desejo de prover os egos encarnantes com corpos saudáveis, bons e limpos. Isto hoje não é possível devido ao nosso mal-regulado sistema de cohabitação. A maioria das crianças nascida agora veio à existência acidentalmente, ou não eram desejadas, mas mesmo nesses casos, esse desejo é baseado em razões de hereditariedade, bens a serem legados, um antigo nome a perpetuar, uma ambição não realizada a ser satisfeita; contudo, o dia dos nascimentos ordenados e desejados aproxima-se, e quando chegar, tornará possível a mais rápida encarnação de discípulos e iniciados. A correta preparação terá prioridade sobre qualquer satisfação do impulso sexual, e as almas serão atraídas para seus pais pela urgência do desejo dos pais, a pureza dos seus motivos e a força de seu trabalho preparatório.

Quando estes três motivos forem cuidadosamente estudados, e quando homens e mulheres moldarem sua relação no plano físico às suas responsabilidades grupais, à sua união nos três planos simultaneamente, e à oferta de oportunidade a almas encarnantes, veremos então a restauração do aspecto espiritual do casamento. Veremos a chegada daquela era em que a boa vontade será a principal característica, e na qual o propósito egoísta e o instinto animal ficarão para trás.

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A Energia Sexual


1) - O sexo é, na verdade, apenas a relação da natureza inferior com o Eu superior; ele é então erguido à luz do dia para que o homem possa alcançar a completa união com a divindade. O homem descobre que o sexo (até então unicamente uma função física, às vezes realizada sob o impulso do amor) é elevado ao seu correto plano como o casamento divino, realizado e consumado nos níveis e consciência da alma. É esta a grande verdade que está por trás da sórdida história da expressão do sexo, da magia sexual e das distorções da moderna magia tântrica. A humanidade rebaixou o simbolismo e em seus pensamentos degradou o sexo a uma função animal e deixou de elevá-lo ao reino do mistério simbólico. Os homens procuraram, através da expressão física, produzir a fusão interna e a harmonia que tanto desejam, mas tal não pode ser feito. O sexo é apenas o símbolo de uma dualidade interna, que precisa, ela própria, ser transcendida e trazida à unidade. Não é transcendida por meios físicos ou por rituais. É uma transcendência na consciência. (Astrologia Esotérica, pág. 385)

2) - A força da atração sexual é uma atração do plano físico e um retrocesso de um tipo de energia involutiva no caminho de retorno. Cosmicamente falando, ela se manifesta como a força atrativa entre o espírito e a matéria; espiritualmente falando, ela é demonstrada como a atividade da alma, ao procurar levar o ser inferior à plena realização. Fisicamente falando, é o impulso que tende a unir o macho e a fêmea com o propósito da procriação. Quando o homem era puramente animal, não havia pecado envolvido. Quando a este impulso foi acrescentado o desejo emocional, então o pecado se instalou e o propósito pelo qual o impulso se manifestava foi pervertido para o da satisfação do desejo. Agora que a raça é mais mental e a força da mente está se fazendo sentir no corpo humano, uma situação ainda mais séria se apresenta, que somente poderá ser resolvida seguramente quando a alma assumir o controle de seu instrumento tríplice. (Um Tratado Sobre Magia Branca, pág. 242)

3) - Nós vivemos num mundo de formas. Estas formas são constituídas de vidas e estas vidas têm sua própria influência emanadora e contribuinte. Elas se enquadram, por sua vez, em três grupos principais:

a) Aquelas emanações que, nascendo das próprias células e dependente de sua qualidade, produzem um bom ou mau efeito, se embrutecem ou se refinam em sua influência e elevam ou rebaixam vibração física do corpo celular unido. Assim, como nós bem sabemos, o efeito físico de um homem com uma natureza animal bruta e grosseira será diferente dos resultados embelezadores e refinadores do contato com uma alma mais velha, funcionando num corpo limpo, disciplinado, aculturado e purificado.

b) Aquelas emanações, de uma espécie puramente física, que são responsáveis pela afinidade química entre dois corpos animais, que produz a atração dos sexos. É um aspecto do magnetismo animal e é a resposta das células ao chamado de outras células, agindo sob a Lei da Atração e Repulsão. Ele é compartilhado pelo homem com os animais e é instintivo e livre de todas as reações mentais.

c) Aquelas forças ou emanações, que são a resposta das células aos ritmos harmoniosos e por isso dependentes da circunstância de ter uma célula em si mesma, algo daquilo a que ela responde. Estas emanações são ainda pouco compreendidas mas se manifestarão à medida que a raça progrida. Este tipo de força é aquela coisa misteriosa que permite que o corpo físico identifique como harmonioso ou afim um ambiente ou circunstância física, por exemplo. É aquela indefinível reação que faz com que dois seres humanos (fora de toda atração sexual, pois pessoas do mesmo sexo a experimentam uma em relação à outra) tenham um efeito físico harmônico recíproco. Esta é, no plano externo, a base esotérica para toda relação grupal e é a compreensão destas emanações que capacita o isolamento e a segregação de raças a continuar existindo sob o grande plano evolutivo. (Idem, pág. 282)

4) - A relação entre os corpos físicos masculino e feminino, chamada pelo homem, a relação sexual e considerada de tão fundamental importância neste tempo. No vale da ilusão, o símbolo muitas vezes ocupa a atenção e aquilo que ele representa é esquecido. Na solução deste relacionamento virá a iniciação racial e é com isto que a humanidade está agora ocupada. (Idem, pág. 86)

5) - O instinto do sexo tem sua principal raiz no medo da separatividade e do isolamento e numa revolta contra a unidade separativa no plano físico, contra a solidão; e resultou no desenvolvimento da raça e na conservação e propagação das formas através das quais a raça vem à manifestação. (Idem, pág. 626)

6) - O instinto sexual elaborou e encontrou sua consumação lógica no relacionamento – conscientemente realizado – da alma e do corpo. Esta é a nota chave do misticismo e da religião, que é hoje, como sempre, a expressão da Lei da Atração, não como ela se expressa através do casamento do plano físico, mas da maneira como encontra sua consumação (para o homem) no casamento sublime realizado com o intento consciente entra a alma positiva e a forma negativa e receptiva. (Idem, pág. 628)

Integração Subjetiva. Corretas Relações Humanas

Ensinamentos do Mestre Djwhal Khul (O Tibetano) e Alice Bailey

27.3.09

A Poluição


Jayme Treiger
Para que a poluição venha a ser vencida, uma mudança no nível de consciência é necessária. Embora seja ainda muito difícil, essa mudança se impõe. Um modelo é oferecido: trabalhar um tanto para o interior - o que sempre repercute no ambiente - e um tanto no exterior.
Emanações venenosas não somente infectam o homem mas também são precipitadas sobre os objetos vizinhos. Com isso, tais sedimentos só com grande dificuldade são erradicados. Eles podem até acompanhar os objetos por longas distâncias e, com o tempo, as pessoas distinguirão a aura de tais objetos infectados. Por enquanto, os indivíduos sensitivos podem sentir em si mesmos a ação de tais estratificações. Também os equipamentos que registram o "efeito Kirlian" já começam a permitir tais registros objetivamente. Outros virão, a curto prazo.
Os bons pensamentos serão o melhor purificador dos arredores. Para MORYA, "a afirmação das mensagens do Bem será ainda mais forte do que os incensos purificadores, pelo que, mesmo em meio à vida diária, é possível criar aquilo que é do bem: cada envio deste tipo é como um raio purificador".
Também está ensinado que a habilidade e a rapidez do pensamento podem ser desenvolvidas pelo exercício constante" e que "não devemos alimentar dúvidas quanto ao que fazer nos momentos entre os labores, pois cada partícula de tempo pode ser usada para comunhão superior".
Enquanto houver predominância de focalização da consciência no plano da natureza emocional, haverá uma tendência à satisfação dos desejos e isso aumentará cada vez mais as contradições sociais de nosso tempo. A elevação do nível de consciência é, pois, uma tarefa interna; também devemos, internamente, desenvolver a introspecção e a discriminação a fim de identificarmos as distorções que possam estar presentes em nossos motivos; enquanto que, externamente, devemos trabalhar em favor das correções que puderem ser diagnosticadas.
Externamente, um dos caminhos que vêm sendo apontados é, por exemplo, o do deslocamento das populações, de modo a inverter a atual tendência de se acentuarem as aglomerações urbanas, no que a urbanização das favelas é medida de largo alcance social mas não traz a solução ao problema. Mais importante seria a construção de cidades de pequeno e médio porte, integradas nas zonas rurais, de modo a servirem de tampão para os centros urbanos maiores. Hoje em dia, com a facilidade de transportes e com o desenvolvimento de grandes redes de empórios comerciais isto não é absurdo e já pode ser visto em vários países - onde, contudo, e certamente, o sistema agrário não é mais o feudal.
A experiência chinesa deveria servir de tema de meditação para os nossos governantes: lá, cerca de 700 milhões de habitantes vivem nas comunidades rurais e somente 250 milhões nos grandes centros urbanos. Para tanto, foi idealizado todo um sistema de tecnologias simplificadas, de modo que as soluções dos pequenos problemas da vida diária podem ser achadas na própria pequena comunidade, o que dispensa o cidadão de ter de se deslocar para os grandes centros para resolver assuntos rotineiros. Isto se aplica tanto à medicina como à engenharia, à veterinária, à enfermagem ou outros campos profissionais.
É verdade que lá, além do problema da fome, havia outras motivações gerando a preocupação de tornar cada comuna tão auto-suficiente quanto possível. No caso brasileiro, o êxito de tal programa envolveria, na pior das hipóteses, a redução da violência urbana, pois ensejaria condições de vida mais digna para muitos milhões hoje reduzidos à condição de párias e cujo conceito de valor foi reduzido ao mínimo e para quem a vida própria ou alheia, já deixou de ter muito sentido.
A Inglaterra realiza uma experiência muito interessante, além de corajosa: a cidade de Glasgow reunia cerca de 1,6 milhões de pessoas, em condições sanitárias e psicossociais progressivamente degeneradas. O governo daquele país resolveu construir quatro cidades, uma em cada ponto cardeal, planejadas para até 200.000 habitantes, cada, com o propósito de reduzir à metade a população original de Glasgow, prevendo-se a demolição das partes piores e a reconquista de espaços abertos, saneados. Medida semelhante foi tomada em Capetown, com relação a um bairro que se tornou um pólo de concentração de graves problemas sociais.
Algo do gênero deveria ser pensado entre nós, sem a preocupação com a demagogia eleitoreira ou para atender a espásticos impulsos emocionais em momentos de tragédias que a maioria pode prever, bastando examinar como são desrespeitadas as posturas constantes dos códigos de obras.
Aliás, no Brasil uma tentativa foi feita: a das agrovilas da Transamazônica. A idéia foi boa, o lugar é que não, porque a área foi escolhida sem ser antecedida de uma observação sobre a demanda espontânea. O eixo Belém-Brasília ou a estrada de Porto Velho a Cuiabá talvez pudessem ter sido utilizadas com resultado melhor.
No lado oposto - isto é, partindo não da administração política e sim do idealismo, se acham as pequenas comunidades que estão sendo organizadas por jovens ecologistas. Na maior parte das vezes não estão indo bem, quer pela inexperiência, quer até pela hostilidade de seus vizinhos - e sempre por falha de infra-estrutura. Repetem os erros que já haviam sido assinalados por um precursor, o Dr. Albert Wolff, um médico alemão que viveu entre nós e de cuja intimidade privei.
Este médico, viajando pelo Brasil em torno de 1930, vislumbrou as imensas possibilidades que o país oferecia. Voltou, pois, ao seu país de origem e tentou convencer as autoridades do mesmo, a propor ao governo brasileiro um plano de ocupação racional do planalto goiano. Naquele tempo, ainda ninguém, salvo pela extraordinária visão de D. Bosco, antevia a existência de Brasília.
As propostas de Wolft não encontraram eco: já então, os dirigentes de sua pátria estavam com as atenções dirigidas para o trigo da Ucrânia. Impedido de prosseguir em seus esforços devido à guerra, tão logo terminou o conflito voltou a difundir suas idéias, mas enquanto observava que em uns nem os sofrimentos decorrentes da estada em campos de concentração haviam sido suficientes para promover transformações profundas de consciência, em outros - a grande maioria - predominava, em escala crescente, a obsessão fatalista de uma futura terceira guerra mundial que, no entender deles, tornaria inútil qualquer planejamento prospectivo; em conseqüência, voltavam-se para a procura incessante, e por vezes desenfreada, dos prazeres (hoje aliás muito mais acentuada). Isto levou-o a abandonar a Europa por volta de 1950, voltando ao Brasil, onde veio a falecer pouco depois, sempre preocupado com o estabelecimento de uma "Escola da Vida", núcleo para um novo tipo de estruturação social, capaz de antecipar respostas às perguntas que fatalmente surgiriam em meio às contradições, cada vez maiores, verdadeiramente caóticas, em que o após guerra nos vinha lançando, já naquela época.
Preconizava, antes de mais nada, uma mudança interior, uma busca de novos horizontes espirituais; além disso propôs ensaios para uma reestruturação social, através do estímulo para a formação de comunidades rurais, onde atividades artesanais pudessem ser desenvolvidas simultaneamente com as atividades agrícolas, de modo a tornar as comunidades, tanto quanto possível, auto-suficientes, tais como os "kibutzim" de criação israelense. Amigo de refugiados hindus colaboradores de Gandhi, certamente aproveitava a experiência que os mesmos viveram, nos "ashrams" por ele organizados.
Seu trabalho, que não chegou a ser publicado, fazia neste sentido uma exortação à juventude brasileira e não deixa de ser uma antecipação do que começa a ocorrer entre nós. A experiência já revelava a necessidade de se armar uma adequada infra-estrutura para garantir a sobrevivência de participantes daquelas comunidades, pois todas as experiências então tentadas, fracassavam pela imprevisão e pelo mau planejamento.
Seria bom se nossos governantes pudessem olhar para o assunto com simpatia. Também nossos empresários. Mas em lugar de uma comunidade se instalar para depois tentar sobreviver, o caminho oposto é que deveria ser tentado: por exemplo, a integração entre uma agrovila e uma indústria, de modo a garantir a absorção de uma determinada linha de produção da agrovila, pela indústria ou pelo comércio próximo.
D. Khul antecipou que, depois do grande fluxo de urbanização, ocorreria o refluxo. Se isto puder ser feito de maneira ordenada e programada, será muito melhor.
Lembro aqui TOYNBEE: em artigo publicado em "The Observer", de Londres, há alguns anos, sob o título "Depois da Era da Prosperidade", também previu que nas regiões desenvolvidas o crescimento ia cessar. "Mais ainda", escreveu, "o crescimento econômico contínuo será substituído pela crise econômica contínua" e isso porque os nativos não mais aceitam ser servos de ninguém e, de outro lado, porque os recursos naturais vêm sendo impiedosamente devastados. A questão do petróleo, sob seus vários ângulos, ilustra muito bem o problema: ela detonou um processo que já estava em curso, fez um tumor vir a furo.
A tese fundamental do Estudo de história de Toynbee é que o declínio das grandes civilizações não é mau em si, pois dá lugar ao nascimento das grandes religiões.
A solução que propõe - e aqui acompanha MORYA - é que o mundo desenvolvido reveja seus pressupostos éticos e econômicos.
Não havendo como dissociar a crise social da crise individual, devemos ir em busca de novos valores que substituam os que foram perdidos ou que se tornaram vazios e obsoletos e concentrar nossas energias nos caminhos futuros, aqueles que emerjam do conflito atual.
No contato do cotidiano ouço, sistematicamente, queixas relativas ao egoísmo, à separatividade e ao isolamento existentes na sociedade atual. Entretanto, no desenvolvimento das entrevistas, observo o quanto os pacientes estão ávidos de se comunicarem com o próximo; o quanto desejam viver uma vida melhor, com maior colorido humano; o quanto abominam a violência, a poluição, a correria inútil em busca das coisas que não valem. A maior queixa é a de como estamos manietados e escravizados a um sistema de vida que a todos ameaça destruir.
É imenso o número daqueles que se indagam sobre que foi feito deste mundo em que vivemos. Assim como esse momento tem chegado para muitos, individualmente, é possível admitir que para a humanidade como um todo, também chegue a hora em que, nas assembléias mundiais, os representantes das nações também começem a repetir a indagação de Gandhi: "que fizemos nós?".
THOMAS, em 1909, já interpretava a crise como "uma ameaça, um desafio, uma intensificação sobre a atenção, um chamado para uma nova ação". TYHURST, em 1958, considerava as reações de sofrimento como "estados de transição", "circunstâncias representando mudanças significativas, muitas vezes súbitas e intensas, nas situações de vida dos indivíduos".
Sob esse ângulo, a crise é uma parte normal do desenvolvimento humano. Por exemplo, nem sempre podemos atender com a urgência que se faria necessária, um paciente em estado de ansiedade aguda: muitas vezes a demora resulta benéfica, pois dá tempo ao doente para reagir e vencer a crise por si mesmo.
ORTEGA Y GASSET considerou a crise como uma transição muito brusca que não deve ser considerada como uma decadência e sim, um salto, uma mutação: a plasticidade então observada favorece o tratamento porque o paciente está em busca de resposta e já rompeu com os velhos hábitos, o que reduz a resistência às mudanças. É claro que, nesse momento, cresce a responsabilidade do terapeuta, cujo erro de atuação pode prolongar a crise.
Há, pois, um choque entre a velha natureza e a nova que se oferece; as modificações rompem as velhas relações, tornam obsoletos os antigos padrões e deixam o indivíduo momentaneamente no caos, inseguro quanto ao novo rumo a tomar. A Crise, pois, não é uma decadência, muito pelo contrário, ela representa um momento muito favorável para as grandes mudanças e, quem sabe, talvez quanto maior a crise, mais favorável a circunstância para a mudança, por representar um período de ruptura com o antigo. Nós sabemos que o homem se apóia nos seus velhos hábitos, nas suas velhas tendências, porque estas lhe oferecem uma base de sustentação, um ponto de apoio para as suas concepções e para o desenvolvimento das suas atividades do dia. Um homem assim assentado não se propõe a reformas, ele apenas se modifica quanto instado pelas circunstâncias e desde que de uma maneira muito convincente.
É interessante, para quem quiser ver uma descrição bastante objetiva deste processo, a leitura de BHAGAVAD GITA, um dos livros épicos da Índia, comparável, no Oriente, pela influência e pelo sentido, ao próprio Evangelho no Ocidente. Ali se pode verificar a descrição de como Arjuna lamentava a derrota iminente dos velhos generais que o serviam, em detrimento dos novos que chegavam para combatê-los. "Os velhos", dizia ele, "são meus amigos" - mas eles correspondiam a hábitos já ultrapassados.
Havia coisas velhas que precisavam ser mudadas e quem devia fazer a mudança eram exatamente os novos exércitos que, na linguagem típica da literatura hindu, simbolicamente se aprestavam para entrar em combate e derrotar os generais da velha natureza.
A dúvida de Arjuna em deixar morrer seus velhos generais os velhos hábitos - prestes a serem derrotados pelos novos generais - as novas qualidades nascentes - ajuda-nos a compreender o momento histórico de nossa mudança.
Muitos já começaram a perceber que "nem tudo que reluz é ouro" e que a necessidade de consumir foi uma deturpação de um propósito mais elevado, o de produzir para o bem-estar de toda a humanidade. Parece que já ninguém se lembra de que, ao ocorrer a Revolução Industrial do século passado, a palavra de ordem era a de que, a partir de então, a humanidade conheceria a felicidade, com os bens de consumo postos ao alcance de todos.
É tempo, pois, de o homem deixar de testemunhar sua própria loucura. Embora já se vislumbrem os primeiros estertores do fim desta era, ainda são estimulados o desperdício e o espírito predatório, levando ao abandono do que mal foi começado, independentemente do custo do sacrifício ecológico. Na fase caótica que atravessamos, o espírito parece ter adormecido, a ponto das manifestações e petrificações da terra alcançarem limites extremos: o aparecimento dos desertos, cumpre ressaltar, sempre caracterizou o começo da selvageria. São necessárias, pois, medidas extremas para que o espírito torne a despertar. É o que diz Morya.
As próprias conquistas tecnológicas, à custa das quais chegamos aos impasses, terão de ser utilizadas construtivamente: elas, e o progresso no conhecimento das coisas, trouxeram à humanidade um novo encargo: tudo indica que Deus deixou a terra entregue aos homens e que a nós próprios caberá decidir se iremos fazer dela uma nova lua, reduzida a desertos estéreis, ou a transformaremos num imenso jardim, onde venha a florescer uma nova civilização de ouro.
Não falemos da humanidade como uma abstração e com aquele desdém que leve a parecer que dela estejamos excluídos: todos fazemos parte dela; a humanidade, somos todos nós. Quem, de nós, não descende dos homens do século XV? E a quem, se não a nós mesmos, se referirão os historiadores do vigésimo quinto século, ao fazerem a crônica do tempo atual? Assim como comemoramos a glória da arte grega e nos apoiamos no Direito Romano; assim como a Magna Carta do século XIII abriu o caminho para a Declaração dos Direitos Humanos do século XX, é de se esperar que, superada a fase caótica atual, decorrente da crescente crise social e econômica, cheguemos a um novo tempo em que, despertando do torpor gerado pela fascinação a que esteve submetida, a humanidade, tal como a bela adormecida da história, se livre do encantamento da fada má, e busque novos caminhos. Estes novos caminhos deverão ter como marcos o abandono da quantidade pela qualidade e a transformação da sociedade de consumo em uma sociedade de serviço, baseada, não mais na satisfação dos desejos mas sim, na compreensão da necessidade da coparticipação.
Ao que tudo indica, tais novos caminhos terão que ser escolhidos sem o apelo a líderes carismáticos: as circunstâncias que muitos dos mais recentes líderes mundiais têm enfrentado, demonstram a fragilidade deste tipo de liderança. Em seu lugar, deverão surgir grupos de indivíduos dedicados ao serviço, disseminados pelo mundo inteiro, caracterizados pela impessoalidade de suas ações, pelo anonimato, pela capacidade do auto-sacrifício consciente e pela compreensão das responsabilidades recíprocas de todos os seres humanos.
Poderá isso parecer uma visão romântica: Na verdade não tenho pendores, nem para visionário romântico, nem para anunciador de tragédias. Entretanto, todos sabemos que "o planeta está doente e que a condição da terra exige um médico extraordinário".
Conheço muitos cujo procedimento já guarda as características necessárias ao momento atual; se não são melhor conhecidos, é precisamente pela característica da impessoalidade de suas ações. Eles não se detêm diante de uma oposição inicial às suas idéias: sabem que toda inovação se choca com a tendência conservadora de nossa própria natureza inferior e que as grandes mudanças nos rumos da humanidade tiveram origem, freqüentemente, num só indivíduo ou num pequeno grupo, cujos ideais foram, na maioria das vezes, rejeitados pelos homens da época; por isso prosseguem, impulsionados por suas almas esclarecidas, respondendo mais aos estímulos internos do que às solicitações externas, alimentando, com a energia do próprio pensamento, os ideais ou princípios que lhes parecem justos e acertados. Prosseguem, pacientemente, nesse trabalho invisível, enquanto aguardam que a maioria da humanidade se esclareça e se transforme.
Sem dúvida, para esse modo de proceder é preciso ter muita coragem. Mas, "é precisamente nos dias de doença grave do planeta que é necessário estar cheio de coragem. O momento é muito grave e, portanto, é necessário intensificar toda a coragem".
Cumpre a nós mesmos, pois, com a experiência já acumulada através das lições vividas, assimilar o que a história de nossas passadas civilizações registrou e decidir como deverão ser escritos os próximos capítulos. Para que haja uma participação intensiva de muitos, na construção dessa nova Sociedade, devemos ensinar como utilizar, corretamente, a faculdade de pensar e elaborar os instrumentos que possibilitem trilhar um caminho mais promissor, mais construtivo, mais inclusivo - um caminho reto, para usar a expressão do Buda.
O tempo atual não deve, pois, ser encarado com pessimismo nem desânimo mas sim, como um desafio ao engenho humano: tudo que tem sido destruído ou dissolvido pertence às velhas estruturas e representa antigos valores - é preciso ter presente que "nada é destruído sem um propósito". Neste particular, é óbvio que a natureza tem sido sacrificada, mas ainda pode ser salva.
O quadro atual não é obstáculo definitivo à instalação de novos padrões. O que não convém é permanecermos na inércia da crítica e das lamentações, sem procurarmos definir a linha de ação própria para o novo tempo e sem preencher os claros que vão ocorrendo pela dissolução dos velhos padrões. Pelo contrário, a época de crise favorece as mudanças. Nela, como disse, as pessoas se mostram mais maleáveis, mais flexíveis, mais receptivas.
Como nossa sociedade evolui dentro de um processo altamente dinâmico, pode ser que mesmo os impasses como os com que hoje nos defrontamos abram caminho para as soluções dos problemas aparentemente insolúveis, ainda que à custa dos choques entre tendências. Por exemplo, quem, em 1939, diria que a Alemanha e a França viriam a ser os dois grandes artífices do Mercado Comum Europeu e do Parlamento Europeu? Ou que tão pouco tempo após a guerra do Yom Kippur os judeus dançariam nas ruas de Jerusalém para festejar a visita de Sadat? O provérbio diz bem que: "Deus escreve certo por linhas tortas".
Mesmo não sendo possível mudar subitamente os costumes, podemos aproveitar todas as oportunidades para postularmos a necessidade do estabelecimento de novos valores, representativos de uma nova ética, mundial.
Por esta nova ética, soluções mais razoáveis deverão ser buscadas para os problemas da humanidade. Como esses problemas se expandiram para uma escala mundial, os postulados dessa nova ética terão de ser igualmente mais abrangentes e deverão apoiar-se numa cultura mundial e não provinciana, pois os tolos preconceitos, as conceituações personalistas, as soluções egoístas, não poderão conservar-se indefinidamente; a maneira de viver terá de se simplificar de modo a se buscar o realmente essencial, e, acima de tudo, o homem terá de integrar-se à natureza, voltando a respeitar suas leis e seus ritmos, harmonizando-se com a moldura do seu ambiente em vez de tentar destruí-lo desordenadamente.
Deliberadamente interpolei aspectos éticos e sociais. A sabedoria popular nos ensina que o ferreiro "dá uma no cravo, outra na ferradura". Meu empenho, ao escrever estas páginas, é exortar cada um à combatividade e a vencer a inércia decorrente da sensação de incapacidade diante do que parece ser insolúvel.
Procuremos agir, mas não somente entre os labores, trabalhemos dentro e fora de nós mesmos, durante a vida inteira, para restaurar os aspectos da vida que estão sob nosso direto controle ou influência. Ofereçamos aos nossos semelhantes um novo modelo de comportamento, o do nosso próprio, redirecionado. Mas não consideremos como semelhantes somente os nossos vizinhos; semelhantes são todos aqueles que compõem a humanidade. Enviemos nossos pensamentos, até lá onde não pudermos atuar diretamente; e, como sinto que podemos fazer algo mais, sejamos como instrumentos deste princípio chamado "Vida", de modo que ele possa jorrar sobre nós próprios e derramando-se para todos os lados, vitalizando nosso ambiente, purificando nossa atmosfera e limpando e curando nosso planeta.
Lembremo-nos de que "Aquele que convoca para uma melhor qualidade, já está no caminho" e que, como propõe MORYA, "o monstruoso é o belo distorcido". Assim corrigindo-se os motivos, a beleza ressurgirá no monstruoso.
Não é necessário mudar o sistema político para encontrar a racional idade das ações administrativas.
A difícil tarefa com que nos defrontamos é, precisamente, a de retomar os controles perdidos.
O ritmo, diz DJWHAL KHUL, "pode ser expresso como aquele movimento cadenciado que, automaticamente, leva aqueles que o empregam ao alinhamento com certas forças da Natureza. E aquela ação dirigida, seguida em uníssono por um grupo de pessoas, que resulta em certos alinhamentos e efeitos sobre um dos corpos ou sobre todos".
Os marcos referenciais que deverão ser buscados para a retomada dos controles perdidos terão de ser, agora, os internos, já que os externos foram perdidos.
Os navegantes dos espaços externos aprenderam, desde há muitos séculos, a se orientarem pelos astros; o navegante dos espaços internos tem de aprender a se orientar ouvindo o som da voz interna - o som da própria alma. (do livro "Restauração da Qualidade da Vida" - 1982)

Sinto muito por estragar a festa, mas uma era glacial está chegando.


Phil Chapman
A mais assustadora foto que vi na Internet está no endereço www.spaceweather.com, onde você pode encontrar imagem do Sol em tempo real a partir do Solar and Heliospheric Observatory, que se localiza no espaço profundo num ponto de equilíbrio gravitacional entre o Sol e a Terra.
O que há de assustador nesta imagem é que há apenas uma diminuta mancha solar.
Perturbador é como deve ser para os fieis seguidores do aquecimento global. A temperatura média na Terra ficou estável ou declinou moderadamente durante a década passada, a despeito do contínuo aumento da concentração do dióxido de carbono na atmosfera; e agora a temperatura global está caindo precipitadamente.
Todas as quatro agências que rastreiam a temperatura da Terra (the Hadley Climate Research Unit in Britain, the NASA Goddard Institute for Space Studies in New York, the Christy group at the University of Alabama, and Remote Sensing Systems Inc in California) reportam que ela esfriou cerca de 0.7 graus centígrados em 2007. Esta é a mais rápida mudança de temperatura registrada e ela nos coloca de volta onde estávamos em 1930. Se não houver uma rápida recuperação da temperatura, teremos que concluir que o aquecimento global acabou.
Há também um monte de esquisitices evidenciando que 2007 foi excepcionalmente frio. Nevou em Bagdá pela primeira vez em séculos, o inverno na China foi simplesmente terrível e a extensão do gelado mar Antártico no inverno austral foi o maior já registrado desde que James Cook descobriu o local em 1770.
Em geral não é possível tirar conclusões sobre tendências climáticas apenas sobre um único ano, portanto eu desprezarei este período de frio como transitório, aguardando o que irá acontecer nos próximos poucos anos.
É aqui onde entra o SOHO (Solar and Heliospheric Observatory). O número de manchas solares segue um ciclo variável de intervalo de tempo calculado em 11 anos. O mais recente nível mínimo foi em Março do ano passado. O novo ciclo, n. 24, estava para começar logo após ele, com um gradual aumento do número de manchas solares.
Isso não aconteceu. A primeira mancha solar apareceu em Janeiro deste ano e a última somente há dois dias (21.4.08). Uma pequena mancha apareceu na última Segunda-Feira (14.4.08), mas desapareceu em 24 horas. Outra pequena mancha apareceu nesta Segunda-Feira. Rezo para que apareçam muitas outras, e já.
A razão deste assunto é que existe uma íntima correlação entre modificações no ciclo de manchas solares e o clima na Terra. A temporada de modificação anterior de um ciclo retardado como o atual foi no Dalton Minimum, um período especialmente frio que perdurou por várias décadas a partir de 1790.
O inverno no Hemisfério Norte tornou-se feroz: em particular, a debandada do Grande Exército de Napoleão durante a retirada de Moscou em 1812 foi no mínimo, de certa forma, devido à ausência de manchas solares.
O rápido declínio da temperatura em 2007 coincide com a falha do ciclo n. 24 e a programação do seu começo não é somente prova de uma conexão causal, mas é causa de inquietação e preocupação.
É hora de pôr de lado o dogma do aquecimento global para pelo menos começar a eventualidade do planejamento sobre o que fazer se estivermos caminhando para outra pequena era glacial, como a última de 1100 a 1850.
Não há dúvidas que a próxima pequena era glacial deverá ser muito pior que a anterior e muito mais prejudicial do que qualquer aquecimento pode ser. Há muito mais pessoas agora e nos tornamos dependentes de umas poucas áreas agrícolas temperadas, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá. O aquecimento global aumentaria a produção agrícola, mas o esfriamento global a diminuiria.
Milhões morrerão de fome se não fizermos nada para nos preparar para ela (como por exemplo, planejar mudanças na agricultura para compensar), e milhões mais morrerão de doenças relacionadas com o frio.
Há também outra possibilidade, remota mas muito séria. O núcleo de gelo da Groelândia e da Antártica, e outras evidências, mostram que por muitos milhares de anos no passado, rigorosas glaciações têm quase sempre afligido o nosso planeta.
A triste verdade é que, sob condições normais, a maior parte da América do Norte e da Europa é soterrada por uma camada de cerca de 1.5km de gelo. Este extremo clima glacial é interrompido ocasionalmente por breves aquecimentos inter-glaciais, principalmente durante os últimos 10.000 anos.
O período inter-glacial que estamos desfrutando durante a história humana documentada, conhecida como Holoceno, começou há 11.000 anos atrás, portanto o frio intenso está atrasado. Também sabemos que glaciação pode ocorrer rapidamente: o declínio esperado na temperatura global é de cerca de 12C e pode acontecer em 20 anos.
A próxima descida para a idade de gelo é inevitável, mas pode não acontecer por outros 1000 anos. Por outro lado, deve ser notado que o esfriamento em 2007 foi até mais rápido que uma mudança glacial típica. Se ela continuar por 20 anos, a temperatura será 14C mais fria em 2027.
Até então, a maioria das nações avançadas terão cessado de existir, desaparecidas sob o gelo, e o resto do mundo estará frente a frente com uma catástrofe inimaginável.
A Austrália poderá escapar da total aniquilação, mas certamente será invadida por milhões de refugiados. Tão logo a glaciação comece, ela durará 1000 séculos, um incompreensível intervalo de tempo.
Se a era glacial está chagando, há uma pequena chance para nos prevenir ou pelo menos retardar a transição, se estivermos preparados para agir rapidamente em larga e adequada escala.
Por exemplo: podemos reunir todas as escavadeiras do mundo e usá-las para sujar a neve no Canadá e na Sibéria na esperança de reduzir a refletância e assim absorver mais calor do Sol.
Podemos também estar preparados para fazer enormes inundações de metano (um potente gás estufa) hidratado sob a camada congelada do Ártico e na plataforma continental, talvez usando armas nucleares para desestabilizar os depósitos.
Não podemos realmente saber, mas minha hipótese é que as probabilidades são pelo menos 50-50 para vermos antes significativo resfriamento do que aquecimento nas próximas décadas.
A probabilidade de que estamos testemunhando o começo de uma real era glacial é muito pequena, talvez uma em 500, mas não totalmente desprezível.
Todas essas encorajadoras ações para frear o aquecimento global precisam diminuir o pisca-pisca e pensarmos um pouco sobre que devemos fazer se estivermos, ao contrário, diante de um resfriamento global.
É difícil para as pessoas encarar a verdade quando suas reputações, carreiras, subvenções governamentais ou expectativa de mudança social dependem do aquecimento global, mas o destino da civilização pode estar em jogo.
São famosas as palavras de Oliver Cromwell, “Eu imploro a você, pelas entranhas de Cristo, pense poder ser possível você estar enganado.”
Phil Chapman é geofísico e engenheiro astronauta, mora em São Francisco, USA. Ele foi o primeiro australiano a tornar-se astronauta da NASA.http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,25197,23583376-7583,00.html